Percepção dos médicos da atenção primária em saúde de Ouro Preto e Mariana em prescrever benzodiazepínicos
Capa BJHP V4N1
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Palavras-chave

Benzodiazepinas
Ansiolíticos
Uso de Medicamentos
Medicalização
Prescrições de Medicamentos

Como Citar

Santos, P. C. C., Rezende, C. P., Ribeiro, C. S. B., Pedroso, L. A., & Sebastião, E. C. O. (2022). Percepção dos médicos da atenção primária em saúde de Ouro Preto e Mariana em prescrever benzodiazepínicos. Brazilian Journal of Health and Pharmacy, 4(1), 1–15. Recuperado de https://revistacientifica.crfmg.emnuvens.com.br/crfmg/article/view/159

Resumo

A elevada utilização de benzodiazepínicos (BZD) para o tratamento de insônia e ansiedade desperta a necessidade de investigar os fatores que propiciam sua prescrição. Mediante isso, o presente trabalho tem como objetivo elencar os fatores determinantes da prescrição de BZD no tratamento de transtornos de saúde mental (TSM). Foi realizado um estudo descritivo, em outubro e novembro de 2019, utilizando-se questionário eletrônico via Google Forms com questões relacionadas à percepção de médicos sobre o uso de BZD. Os participantes da pesquisa foram médicos que atuavam na atenção primária em saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) de Ouro Preto e Mariana. Dentre os dezoito médicos que participaram da pesquisa, a maioria assumiu a responsabilidade (61,1%) e a capacidade (55,6%) de tratar e diagnosticar TSM. Grande parte deles admitiu conhecer (88,2%) e saber (58,8%) manejar somente as principais reações adversas aos medicamentos (RAM) que prescreve. Alguns fatores relacionados aos pacientes considerados limitantes para o tratamento adequado de TSM foram: preocupação com RAM; relutância em consultar e tomar os medicamentos; e, estigmatização do diagnóstico. Outros fatores que podem favorecer a prescrição de BZD foram: limitações decorrentes da formação profissional; baixo conhecimento sobre tratamento e diagnóstico dessas condições/ enfermidades; falta de domínio sobre medidas não farmacológicas. Ainda, os participantes apontaram que a falta de recursos terapêuticos alternativos disponibilizados no SUS dos municípios contribui para aumentar a prescrição de BZD. Apesar de conhecerem sobre a farmacoterapia e manejo de RAM, incluindo dependência e tolerância, os participantes demonstraram vivenciar uma angústia profissional entre a necessidade dos pacientes e a relação risco/benefícios da prescrição de BZD.

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